Vontade de pular no tempo
Hoje eu vi um apartamento com a minha mãe que mexeu muito comigo. A princípio, não havíamos gostado do prédio, por causa da fachada e da portaria. Mas entramos. No hall do elevador, já tive um bom pressentimento. A porta era muito branca com uma maçaneta de aço escovado, muito nova, muito bonita. Barulhos de criança correndo e gritando lá dentro. Eu, que não costumo gostar de crianças, sorri.
Uma moça de uns trinta e poucos anos abre a porta. Vestindo um conjunto de moletom, ela era simples, os cabelos castanhos escuros brilhantes, uma moça bonita. Dois meninos corriam pela sala, entre 5 e 7 anos de idade, eu não entendo muito de crianças, mas achei os dois lindos e saudáveis, divertidos e felizes. Entrei no apartamento.
A sala era ampla e muito clara, uma vista bem livre, paredes brancas e móveis lindos. Gostei de todos os quadros nas paredes, gostei das cadeiras à mesa de jantar e da estante da televisão. A janela imensa me dava vontade de sair flutuando.
Depois da sala, vinha um pequeno corredor. Uma porta dava para uma espécie de escritório, originado por uma dependência de empregada revertida. Ali, sentado ao computador, o marido. Um homem alto e lindo, também jovem, sorridente, forte, o típico estereótipo do ser masculino provedor, que te passa segurança só no olhar. Nas paredes, prateleiras com muitos e muitos cds e quadros com capas de discos e ingressos de shows. Led zeppelin, deep purple, kiss... Além de lindos, eles definitivamente tinham bom gosto.
O resto do apartamento acompanhava o início, cômodos claros, arejados, amplos apesar de não muito grandes, acolhedores e confortáveis, com janelas enormes que fazem você se sentir dono do mundo, dono do céu.
O casal está nesse apartamento há menos de um ano. Estão se mudando para um maior. São lindos, têm filhos encantadores, móveis e peças decorativas de extremo bom gosto, dinheiro para uma vida confortável e alguns luxos. Tinha algo de sonho naquele apartamento, um ar de lua de mel.
Fiquei com o coração mole, com o peito um pouco apertado. Não que eu queria me casar e ter filhos aos vinte anos, mas finalmente eu me sinto adulta, finalmente eu me sinto madura, por que eu quero isso tudo. Ainda que no futuro, eu quero com certeza, com uma certeza que eu não conhecia.
Quero comprar um apartamento com alguém lindo com quem me sinta nas nuvens e criar meus filhos nele, montar árvore de natal no inicinho de dezembro e esconder ovos de páscoa em março. Quero ter uma cama de casal com o edredom de cores que combinam com a cor das paredes. Quero me debruçar na janela com meus filhos e mostrar as ruas, os telhados, as coisas todas que se pode ver. Quero ter um bolo de laranja na cozinha. Quero me sentir em casa.
Hoje eu vi um apartamento com a minha mãe que mexeu muito comigo. A princípio, não havíamos gostado do prédio, por causa da fachada e da portaria. Mas entramos. No hall do elevador, já tive um bom pressentimento. A porta era muito branca com uma maçaneta de aço escovado, muito nova, muito bonita. Barulhos de criança correndo e gritando lá dentro. Eu, que não costumo gostar de crianças, sorri.
Uma moça de uns trinta e poucos anos abre a porta. Vestindo um conjunto de moletom, ela era simples, os cabelos castanhos escuros brilhantes, uma moça bonita. Dois meninos corriam pela sala, entre 5 e 7 anos de idade, eu não entendo muito de crianças, mas achei os dois lindos e saudáveis, divertidos e felizes. Entrei no apartamento.
A sala era ampla e muito clara, uma vista bem livre, paredes brancas e móveis lindos. Gostei de todos os quadros nas paredes, gostei das cadeiras à mesa de jantar e da estante da televisão. A janela imensa me dava vontade de sair flutuando.
Depois da sala, vinha um pequeno corredor. Uma porta dava para uma espécie de escritório, originado por uma dependência de empregada revertida. Ali, sentado ao computador, o marido. Um homem alto e lindo, também jovem, sorridente, forte, o típico estereótipo do ser masculino provedor, que te passa segurança só no olhar. Nas paredes, prateleiras com muitos e muitos cds e quadros com capas de discos e ingressos de shows. Led zeppelin, deep purple, kiss... Além de lindos, eles definitivamente tinham bom gosto.
O resto do apartamento acompanhava o início, cômodos claros, arejados, amplos apesar de não muito grandes, acolhedores e confortáveis, com janelas enormes que fazem você se sentir dono do mundo, dono do céu.
O casal está nesse apartamento há menos de um ano. Estão se mudando para um maior. São lindos, têm filhos encantadores, móveis e peças decorativas de extremo bom gosto, dinheiro para uma vida confortável e alguns luxos. Tinha algo de sonho naquele apartamento, um ar de lua de mel.
Fiquei com o coração mole, com o peito um pouco apertado. Não que eu queria me casar e ter filhos aos vinte anos, mas finalmente eu me sinto adulta, finalmente eu me sinto madura, por que eu quero isso tudo. Ainda que no futuro, eu quero com certeza, com uma certeza que eu não conhecia.
Quero comprar um apartamento com alguém lindo com quem me sinta nas nuvens e criar meus filhos nele, montar árvore de natal no inicinho de dezembro e esconder ovos de páscoa em março. Quero ter uma cama de casal com o edredom de cores que combinam com a cor das paredes. Quero me debruçar na janela com meus filhos e mostrar as ruas, os telhados, as coisas todas que se pode ver. Quero ter um bolo de laranja na cozinha. Quero me sentir em casa.

1 Comments:
Se escrevesse algo na internet.. gostaria que alguem comentasse, mesmo sem dizer quem é.
Esse texto me tocou de alguma maneira, não sei qual, nem onde, mas tocou.
Obrigado.
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